1. Em torno dos 6 meses, não antes
A OMS recomenda leite materno exclusivo nos primeiros 6 meses. A AAP fala em "por volta dos 6 meses". O Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos, do Ministério da Saúde, coloca como passo 1: "amamentar até 2 anos ou mais, oferecendo somente o leite materno até 6 meses". Todos dizem "em torno de" porque o que define o momento são os sinais de prontidão.
Sinais reais de prontidão: sentar com apoio, bom controle da cabeça, abrir a boca para a colher e conseguir levar o alimento para trás (em vez de empurrar com a língua).
O que não é sinal: olhar você comer, chupar as mãos e acordar mais à noite. Esses três aparecem por volta dos 4 meses em quase todos os bebês.
2. A comida se soma ao leite
No começo, o leite continua sendo a principal fonte de nutrição. A OMS recomenda amamentar até 2 anos ou mais. A comida entra devagar:
- Início: uma ou duas colheres de chá, uma vez ao dia.
- 6 a 8 meses: 2 a 3 refeições por dia.
- 9 a 11 meses: 3 a 4 refeições por dia, mais lanches se o bebê quiser.
Nas primeiras semanas ele come duas colheres e cospe uma. Normal. O Guia Alimentar prefere a comida amassada com o garfo à batida no liquidificador, para o bebê aprender textura.
3. Não adie amendoim e ovo
Até 2015 a orientação era adiar alimentos alergênicos. O estudo LEAP mostrou o contrário em bebês de risco, e a AAP trocou a recomendação em 2019: depois que a introdução alimentar começou, não há motivo para adiar amendoim, ovo e outros alergênicos.
O cuidado é com a forma do alimento: nunca castanhas inteiras nem colheradas de pasta de amendoim (risco de engasgo). Pasta diluída na comida amassada ou amendoim em pó misturado funcionam. A regra de "um alimento novo a cada 3 a 5 dias" serve para identificar reações e não deve virar desculpa para adiar os alergênicos.
Bebês com eczema grave ou alergia a ovo já diagnosticada devem ter o amendoim introduzido com orientação do pediatra ou alergista.
4. Mel: a AAP diz 12 meses, o Brasil diz 2 anos
Mel pode conter esporos de botulismo, que o intestino do bebê ainda não neutraliza. A AAP proíbe até os 12 meses. O Guia Alimentar brasileiro não recomenda mel para menores de 2 anos. Isso inclui mel em biscoito, chá e "para tosse". No Brasil, siga a regra dos 2 anos.
O Guia Alimentar recomenda não oferecer açúcar nem alimentos ultraprocessados a crianças menores de 2 anos, e usar pouco sal na comida da família que o bebê compartilha. Fruta, legume, cereal, feijão e carne, da comida de casa, são a base.
Se depois de um alimento novo o bebê apresentar inchaço nos lábios ou olhos, chiado ou dificuldade para respirar, vômito repetido, palidez ou moleza súbita, é reação alérgica grave. Ligue para o SAMU (192) ou vá à emergência.
O Toddli traz essas quatro regras na seção de alimentação, com a regra brasileira do mel. Cada refeição de sólidos aceita uma anotação livre (o alimento e se houve reação), e as anotações do período entram no relatório da consulta.
Fontes
- OMS. Infant and young child feeding, ficha informativa (atualizada em 4 de agosto de 2026).
- AAP, HealthyChildren.org. When Can Babies Start Solid Foods? (atualizado em 23/06/2026).
- Ministério da Saúde. Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos. Brasília, 2019.
- Greer FR, Sicherer SH, Burks AW. The Effects of Early Nutritional Interventions on the Development of Atopic Disease in Infants and Children. Pediatrics 2019;143(4):e20190281.
- Du Toit G, et al. Randomized Trial of Peanut Consumption in Infants at Risk for Peanut Allergy (estudo LEAP). N Engl J Med 2015;372(9):803-813.
- AAP, HealthyChildren.org. Botulism (atualizado em 09/12/2025).
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação do pediatra. Cada bebê é único: em caso de dúvida ou de qualquer sinal de alerta, procure atendimento médico.

